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Monday, January 28, 2013

Pequeno conto Puri




Aquele dia ouvimos de Dauá uma história passada por gerações, sobre um Pajé Puri de séculos longínquos, que sonhara com uma grande guerra. Era a visão de um embate; cenas de horror, devastação e sangue derramado. Ele convocou a aldeia para anunciar seu sonho:

Vejo muita dor. As matas sumirão, dando lugar a frias selvas de pedra e sem vida plena. Passada e anestesiada a dor,  disse - almas e parentes se encontrarão anos depois através de um chamado do espírito da floresta, para resgatar a honra de seus povos e o respeito à natureza. E então, índios de diversas aldeias, com suas músicas, rituais, línguas e tradições, formarão uma força, serena, porém sólida, tal qual uma árvore, com raízes erguidas no solo desta terra. 




Sunday, January 6, 2013

AMAVISSE

Hilda Hilst
AMAVISSE

I
Carrega-me contigo, Pássaro-Poesia
Quando cruzares o Amanhã, a luz, o impossível
Porque de barro e palha tem sido esta viagem
Que faço a sós comigo. Isenta de traçado
Ou de complicada geografia, sem nenhuma bagagem
Hei de levar apenas a vertigem e a fé:
Para teu corpo de luz, dois fardos breves.
Deixarei palavras e cantigas. E movediças
Embaçadas vias de Ilusão.
Não cantei cotidianos. Só cantei a ti
Pássaro-Poesia
E a paisagem-limite: o fosso, o extremo
A convulsão do Homem.

Carrega-me contigo.
No Amanhã.

Hilda Hilst
Thursday, January 3, 2013

Contos antecipados da tripulação futuro-presente


                                                          II.

Muitos foram os que questionaram, mas ignorando a levianidade, seguiram confiantes em busca de conhecimento. E conheciam alguma coisa, reconhecendo que nada era, se tudo fosse. As pernas embaladas pelo cansaço, fome, sede, abrigo e demais necessidades que permeiam a base da pirâmide de maslow, ilustravam um caminho sem volta. Meditavam sobre os desapegos em lugares distintos sem saber ao certo o dia de amanhã. Em meio a busca, celebravam. Buscavam em meio a celebração. Cada dia uma conquista celebrada. Quando as pessoas celebram? No ano novo, no aniversário, nos dias das invenções, pra que possam se presentear. Os dias tornaram-se importantes, todos. Recriaram um calendário sem nomes de imperadores romanos. E com o tempo, deixaram de saber que idade tinham.
Friday, December 28, 2012

Social Media - Facebook

    O que você pensa?
                                      
Quando comecei com mídias sociais, usava exclusivamente para divulgação de eventos e artistas - isso na época da produtora. [...] sem saber, já era social media. O social media busca informações a respeito do público-alvo, cria um universo virtual do seu tema, elabora táticas para levar a informação ao maior número de pessoas possível, monitora estatísticas e realiza a manutenção das redes sociais de acordo com a política da empresa. 
Instintivamente, ao entrarmos na internet, temos por hábito acessar alguma rede social, principalmente facebook, youtube ou twitter. O facebook é o mais popular, reúne uma série de atrativos como compartilhamento de textos, imagens, vídeos, jogos, aplicativos, chamadas de vídeos, conversa rápida, eventos e fóruns de discussão; com tantos recursos assim, é raro que um usuário acesse pouco. Mesmo aquelas pessoas que você mal encontra online e quase não postam nada - muitas vezes são os que mais acessam.
Um sistema automatizado permite que seus amigos que tenham uma interatividade maior, ou seja, que curtem, comentam e compartilham com mais frequência notícias em comum, apareçam no feed de notícias. Esse sistema interessa a usuários com muitos amigos. 
Já usei meu perfil pessoal do facebook pra algumas campanhas (até hj faço isso em alguns casos, confesso) e com o tempo passei a compartilhar notícias não veiculadas nas mídias convencionais. Sonho ou utopia? Não sei. A intenção é despertar para o questionamento e deixar que esse ponto de interrogação se propague. Apesar do sistema automatizado, as postagens podem chegar ao alcance de pessoas que não compartilham opiniões ou que não compreendem o teor da mensagem. 



Wednesday, December 26, 2012

Contos antecipados da tripulação futuro-presente


I.
O barco segue solene e seus tripulantes anseiam por conhecer novas terras, povos, culturas, línguas e tradições. As horas são irrelevantes comparado ao prazer de estarem livres. Sabe-se que as horas definem muitas coisas; mas não estão à procura de definições; querem mesmo desafiar as limitações, sentem-se bem por saírem da zona de confortuzão.
O amanhã é impreciso - a lei é que se viva o hoje. Pensamentos utópicos permeiam a cabeça daqueles insolentes navega-dores. A alma calada de competidores megalomaníacos uivam por essas cabeças enquanto pensam com demasiado orgulho nas coisas que têm. As coisas. Ontem ouvi que a pior coisa que um escritor deve ter é o pudor de escrever. E eu, despudorado, tampouco escritor, escrevo receitas de bolo.
Friday, December 21, 2012

Crônicas em Preto e Branco



Pra ele, nenhum sonho é utópico, e enquanto o todo não formar a unidade, nada na vida faz sentido. Atrás de uma resposta, que, embora precisamente saiba que não encontrará, alimenta os sonhos pra dar um significado a sua medíocre existência. Escreve bonitos textos de campanhas, é contra todo o funcionalismo e não vê o menor sentido nas coisas que as pessoas insistem em acreditar que são boas. Então é isso, a vida? Facilitismos não bastam. Teorias não lhes servem, coisa alguma. O homem caminha com as pernas pesando, a cabeça cansada, a vontade de ficar na cama e a sensação de não ter feito nada que realmente valesse a pena. Não há sensação de dever cumprido. Tomaram seu tempo, sua alma. Tomara que vá. Descubra nos confins que não tem mesmo a tal resposta , pra que fiquem as perguntas e essa latente vontade da humanidade de não sei o que.  
Wednesday, July 4, 2012

Homenagem as mulheres de cabelos cacheados

Texto retirado do área H, o Portal para homens inteligentes



Nós seres humanos, somos facilmente escravizados. Somos facinhos, nos rendemos a quaisquer ideias com mais de 10 likes no Facebook, gastamos nosso dinheiro atualizando o guarda-roupa pra que ele não deixe de ter aquela peça que mostra pra todo mundo o quanto “cool” nós somos, votamos no candidato que tem mais tempo no horário eleitoral porque é difícil demais pesquisar a vida daquele outro que só tem direito a míseros 3 minutos de fala, gastamos o que não temos comprando coisas pra impressionar pessoas das quais nem gostamos. Sim, somos facilmente manipuláveis, meu amigo. Toda essa necessidade de nos enquadrarmos em padrões acabou nos transformando em seres entediantemente iguais.
Quer ver? Aquela mulher peituda de cabelos lisos, de unhas pintada de vermelho pipoca-doce, se equilibrando num salto 15 daquela bota que todo mundo resolveu comprar, te chamou atenção? Ah, vá. E você aí achando que não era previsível.
A bolha de influência invisível e maléfica que nos dita a cada segundo como devemos nos vestir, o que devemos achar bonito, o que deve ser considerado coisa de pobre, o que faz daquele sujeito parecer mais bacana diante de todos os outros, cada dia mais nos transforma em seres que são mais do mesmo. Como numa gigante linha de produção, vemos pessoas-produtos esbanjando padrões como se tivessem sido escolhidos por elas, quando na verdade todas as escolhas foram, dia após dia, sendo injetadas em seus subconscientes que estavam ocupados demais fuçando nas novas atualizações do Facebook pra se darem conta disso. A geração dos zumbis, meus amigos, está mais perto do que você imagina.
Mas nem tudo está perdido.
Eis que quando você já estava perdendo a esperança, ela surge na mesa ao lado. Os cabelos encaracolados castanhos e volumosos. Na pele, nada de sombras azuis, na boca, nem sinal de batom vermelho. Você desce o olhar pra notar os seios... não há ferros nem bojos fazendo o crime de impedir que eles dêem aquela leve caída dos deuses. As mãos que viram as páginas do cardápio são inegavelmente femininas – dedos pequenos, revelam uma surpresa em suas pontas – não há esmaltes – nada de cabaret, new york, beijo molhado, preto fosco, verde palmeiras. Nos pés também não se vê aquela pontinha de band-aid denunciando que a escolha da noite passada periodizou a beleza, e não o conforto. Seus pés parecem felizes dentro de um sapato confortável. As roupas, mostram pouco diretamente, mas deixam vários sinais de que o que está por baixo delas é um conjunto inteiro que faz muito mais milagres do que só uma bunda malhada. Ela parece não se importar com padrões porque o que importa nela é ela mesma – e porque sabe que não adianta de nada uma embalagem bonita se o conteúdo não surpreender. Sabe que a vida é curta demais e decidiu gastar seu tempo com coisas que realmente importam. Na verdade, ela está pouco se fodendo pra essa disputa de pessoas vazias em busca de um lado externo perfeito. E, se você quer mesmo saber, ela não dá a mínima se você a acha menos gostosa por isso.
E deixemos claro – quem vos fala não é um invejoso que não tem bom gosto pra estilo e nem tempo/saco pra passar horas na academia em busca de um corpo gostoso. Reconhecemos o valor de estar bem consigo mesmo, mas a discussão que queremos trazer é o quanto queremos estar bem conosco ou o quanto queremos estar bem como o que fomos forçados a acreditar como sendo um padrão ideal. Será que ela realmente ama passar uma hora em frente ao espelho sempre que lava o cabelo tentando eliminar quaisquer sinais de cachos com ajuda da sua velha e fiel companheira, a chapinha? Ou será que faz isso pra seguir um padrão invisível e pra se sentir igual a todo o resto do mundo? Tenho minhas dúvidas.
O lado bom dessa história é que as moças como aquela que descrevemos linhas atrás, passam despercebidas aos olhos daqueles que só enxergam o óbvio. O bitolado por peitos grandes e empinados, nem vai notar a presença dela. É como  uma seleção natural – aqueles que conseguem enxergar fora da caixa, acabam encontrando as mulheres mais autênticas, mais parceiras, mais interessantes, enquanto os outros seguem a ver navios e espalham pra geral que as mulheres de hoje em dia não querem nada com nada. Bobinhos. Eles nem desconfiam que para encontrá-las, basta tirar a venda e enxergar além do óbvio. 
Monday, July 2, 2012

Descendentes

Hoje, na esquina do Vegas, divaguei assuntos diversos com Carlito, vulgo "Sozi" pelas regiões - estranha alcunha da época de cabelos crescendo em lugares diferentes. E no meio dessas divagadas, depois de cantarmos "Herbocinética - Raimundos", pensei coisas daquelas que são tão claras na nossa mente que dificilmente nos damos conta: "- A música sobrevive através de uma herança de influências!" Sim, isso não é novidade, mas raramente lembro disso; na maioria das vezes só lembro pra falar mal de artistas que copiam suas influências escandalosamente."Falar da vida alheia, mas que coisa feia".Ao ler essa frase, você lembra de alguma música em especial? Pense em algo que estourou nos últimos anos... agora pense num grupo de Reggae excelente, que se apresenta nos mais diversificados festivais:devo ter razões pra acreditar que todos pensaram em Ponto de Equilíbrio, certo?Mas "Opa, Peraí Caceta!", é assim que começa "Herbocinética - Raimundos".  Pensei sobre como o Ponto de Equilíbrio e outros artistas fenomenais transformam influências fantásticas em resultados tão agradáveis, que também serão passados pra uma nova geração e assim por diante.
Atravessando essa linha de pensamento, cheguei a essa máxima: 
"Cada música é fruto de um solo fértil deixado pelos nossos antepassados ou uma semente plantada para os nossos descendentes."
 ¡ Buenas noche a todos!
Ouvindo: "Descendents - Hope"